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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Moment, musical! "confraria das sedutoras


3 na Massa e a Confraria das Sedutoras

Formada por Púpillo (bateria), Dengue (baixo) e Ricca Amabis, o 3naMassa tenta reformular o conceito de sensual dentro da música brasileira atual. Sempre presente na música, o amor com o tempo foi se tornando mais frio, e os valores em relação aos sentimentos mudam com decorrer do tempo.

O que era um projeto tornou-se um disco. Existem mais pessoas por trás da sensualidade envolvida nas músicas do 3naMassa, além dos 3, a massa ainda conta com participações nas letras de Jorge du Peixe (Nação Zumbi), Junio Barreto, Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Bacteria (Mundo Livre), Felipe S e Marcelo Campelo (Mombojó), China, e outros.

A primeira música que ouvi foi “Tatuí”, cantada por Karine Carvalho, foi amor a primeira vista. Mim conquistou logo de cara! Letra composta por Rodrigo Amarante, o arranjo e o balanço que música tem faz você dançar espontaneamente. “Morada Boa” interpretada por Nina Miranda carregadas de imagens cinematográficas, escuntando o 3naMassa, eu fico imaginando cenas, imagens... Clichês interpessoais.

Na música “Quente como Asfalto”, a voz sedutora que lhe entra nos ouvidos, o tom da voz como um cochicho, faz a temperatura subir, aguçar os sentidos, sensualidade bastante presente, deixado bem claro no nome do disco. Como também, fica claro na música “Seu Lugar” interpretado pela atriz e cantora Thalma de Freitas, onde põe todo seu talento. Inclusive o Clipe desta música ficou muito Belo esteticamente.

Bom essa é uma sugestão de música que deixo, 3naMassa... Sensual, poético, imagético!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

F FOR FAKE! (1974), uma história de Verdades e Mentiras.



Por: Jaymerson Lima

F For Fake, filme produzido pelo enigmático Orson Welles, o mesmo que dirigiu e atuou no premiadíssimo Cidadão Kane, começa com truques que enganam os olhos. Com seu ar misterioso, Welles mostra truques de mágica para uma criança, que observa atentamente. Mas logo após, ele mostra que por trás de mágicos, a assistentes, que fazem com que aquilo pareça real nos seus olhos. Entre “verdades e mentiras”, Wells compõe sua obra!
Com seu objeto, ele anuncia: “um filme sobre trapaça e fraude. Sobre Mentiras”. Com depoimentos do próprio Wells, o filme é meio tenso, por que você num sabe se o falsificador é falso, ou não! Tendo em vista, que F For Fake é filme de como produzir filme. As sucessões de imagens, os vários olhares para a personagem Oja... Diferentes posicionamentos, diferentes ângulos, novos recortes, tudo isso usadas inteligentemente para seduzir o telespectador, manipulá-lo, iludi-lo.
Mais a frente, Wells apresenta os personagens Elmyr de Hory e Clifford Irving, falsificadores que irão dar base para a discussão que Welles irá propor no filme. Que logo cruzaram os caminhos da belíssima Oja.
O filme mostra falsificadores que enganaram grandes conhecedores de arte. Onde seus talentos eram depositados para fazer falsificações, copias de obras únicas, até os pintores se confundia ao se deparar com uma obra sua falsificada. Assim, Wells, lança a pergunta: Será Arte?! A partir disso o Falsificador também é um artista, tendo em vista que ele extrai a beleza de quadros de artistas consagrados, retira e recria a aura da obra de arte, serão artistas, tens valor?
Walter Benjamim no seu texto “ a obra de arte na era da reprodutibilidade técnica”, tenta trazer uma discussão parecida do filme. Para Benjamim, a criação artística é única, carregada do aqui e agora. Conceituando a aura da obra de arte, onde uma simples cópia não traria a aura existente na obra única, original.
Utilizando do processo de montagem do filme, Wells questiona a veracidade da arte, exemplificando a modificação da realidade e a construção da ilusão de que a arte é capaz. A dúvida é sempre presente no filme de que o falsificador na verdade, é um falso falsificador. Mas no decorrer do filme, Elmyr falsifica Modigliani, Picasso, entre outros em questão de horas. Agora a Pergunta... Um falsificador que copia Modigliani, Picasso com tamanha destreza não é um artista?!
Em F For Fake o conjunto imagético é simples. A narrativa do filme que muitas vezes, fragmentada e repleta de interrupções abruptas, propositalmente, afim de, distanciar o espectador da trama, levando-o a se questionar sobre o valor de alienação, analisada de múltiplas formas pelas obras falsificadas em questão. Welles encara o cinema como um instrumento de ilusão, de recriação e transformação da realidade, realizada, sobretudo, através da montagem.
Oja, a belíssima mulher, personagem do filme dotada de um mistério esplendido, coloca-se novamente no filme, sempre a atrair olhares voluptuosos por onde passa. Um desses olhares era o olhar do Gênio Pablo Picasso, que vislumbrado pela beleza da moça, compõe 22 quadros. Mas, ela termina levando-os com ela quando decidi ir embora. Um tempo depois do envolvimento dela com Picasso, ele descobre que ela decidiu colocar os quadros em exposição. Furioso, Pablo decidiu ir atrás dos seus quadros, chegando lá não reconhece nenhuma das suas obras da exposição. Tenta reaver os originais, mas descobre que foram queimados, e que os que estavam na expo, eram todos falsos pintados pelo avô de Oja, Elmyr. Com sua narrativa forte, dentre inúmeras quebras de narrativa, Welles aparece novamente para dizer que a historia entre Oja e Picasso era falsa, era mentira. No entanto, mesmo sendo falsa, a trama pode trazer sensações de uma história real. Assim sucede nas obras de Elmyr, podendo ser contemplando e obter as mesmas reações que o original.
Mas o Fato é que F For Fake, é um filme fora do comum, onde Welles trabalha sua genialidade para criar dúvidas! Isso mesmo, ao final do filme temos mais interrogações do que certezas, a dúvida é constante... É Verdade ou Mentira?!
Um fato curioso em que fiquei pensando foi em uma coisa que li, no livro chamado Boêmios, que no inicio da carreira do Pablo Picasso muitos pintores que conviviam com ele tinha receio de mostrar suas obras ao olho atento do gênio, pois ele copiava o que via e melhorava em suas obras... Será que num tem um pouco de Picasso nesse personagem criado por Orson Welles, o grande falsificador Elmyr?
Mas o fato é que a história é atraente, mesmo sendo mentira, sendo verdade... Quem não se deliciou com as passadas da linda Oja, suas pernas misteriosas e seu olhar profundo! A história que cercava em cima do maior falsificador de todos os tempos, o valor da cópia, é arte ou não?! Quem com todos os seus talentos poderia apenas recriar obras com uma presteza formidável, no entanto, não criava suas próprias obras? No entanto, recriava um quadro famoso, em horas, com a mais perfeita sincronia, pode ser chamado de artista?!
F For Fake, fique atento!