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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Perdendo com o Tempo


Sensações!

Jaymerson Lima

Bom, na atualidade as coisas funcionam muito rápidas. Mas não é de carro que estou falando, e sim de informações e imagens que circulam nosso dia milhões de vezes. Vão e voltam se espalham rapidamente e se perdem de repete.

Com a digitalização das imagens, dos equipamentos, dos processos de compor e recompor as coisas; com a facilidade de criar objetos, copiá-los, multiplicá-los... A apreciação, a contemplação, a seleção; o modo de observa cada cena, cada recorte do real, do imaginário é diferente. Hoje, apertamos um botão, e... Está lá, no visor de uma câmera digital de não sei quantos megapixels, onde forma imagens da mais perfeita forma possível.

Seu armazenamento, Um HD de computador, onde pela vasta capacidade de guarda, nossas imagens, perdem-se na rapidez que são produzidas. Elas são fúteis, são reproduzidas com facilidades divulgadas com agilidade, e perdidas em uma pane de sistema.

Com toda essa evolução tecnológica, o tempo está apagando certas coisas que não voltam mais. Na Ultima sexta do mês (28 de maio de 2010) a turma de fotografia fez uma saída fotográfica, onde a temática era fotografar o companheiro de turma, com câmeras analógicas, usando ela no modo manual, com filmes P&B de 36 poses. Para a aula acontecer, no nosso Estado não tinha filme preto e branco de trinta e seis poses tivemos que encomendar em outro Estado. Mas isso não é culpa de Alagoas por ser atrasada em alguns aspectos, mas sim o desenvolvimento de tecnologias novas, que deixam para trás o processo de pensar o fotograma com delicadeza, com sutileza na forma de usá-los, de revelá-los e por fim ampliá-los, que convenhamos, é uma sensação boa.

No mesmo dia estivemos no Laboratório de Fotografia do Curso de Comunicação da Universidade Federal de Alagoas- UFAL, onde tivemos uma aula que reconstruiu meu imaginário. Pois ele estava meio que digitalizado. Quando vamos ampliar uma fotografia tem todo um processo que precisa de cuidado, de atenção. Um tratamento adequado para que se possam produzir uma imagem adequada, do jeito que os seus olhos viram no seu imaginário.

É fantástica a forma quando a imagem vai surgindo no papel, à surpresa da cena, do recorte feito por ti no momento de fotografar, a forma que regulou a câmera para obter o resultado... Aos poucos ela vai aparecendo e nossa expectativa vai aumento, crescendo à, cada sais revelado, na escuridão iluminada por uma luzinha vermelha no canto do quarto escuro. Essa experiência digna de relato, pois com o tempo tende a ser perde no meio dessas conduções digitais, essa é uma arte que está se apagando com a era de novas tecnologias. A arte de apreciar o momento.

No ritmo de segundos, minutos o processo que é químico é como o amor, Química. Você cria uma relação com aquela representação fixada no papel, a imagem renasce para você de uma forma mais afetiva. Nesse dia tirei na faixa de umas nove fotos, lembro de cada uma delas. Por que lembro? Porque gastei uma quantidade maior de tempo, não podia simplesmente apagar e tirar outras fotos tinha que ser aquele click no disparador, disparado pela minha percepção. Não apertava primeiro e via o resultado depois, o recorte já estava formado no imaginário, por isso que ela renasce, pois já nasceu no nosso imaginário.

Fiquei coisa de cinco horas ou mais, no laboratório, mas não queria sair... Queria continuar ampliando as fotos que o grupo e eu tiramos, adorei aquela surpresa de você ver aquela imagem surgindo no papel foto-sensível, as cores, preto e branco, mim levaram para uma época em que não vivi o trabalho que se tem no processo de tratamento dessas imagens está se perdendo ou mudando, mas com o tempo não será mais a mesma, ou já não é.

O fato é que, o modo, hoje como consumimos, produzimos, e utilizamos as imagens da para percebe que elas não tem valor, estão se tornando banais? Esse tempo que não volta mais, que consegui vivenciar. Não sei se conseguirei repassar, reproduzir de maneira física pra gerações que virão depois de min.

As sensações que tive dentro daquela sala escura foram diversas, passou da tensão para o alívio quando terminei de enrolar o filme na bobina pra revelar o filme. Superou a estranheza, contemplou à beleza. Renasci para fotografia, ela renasceu para min.

O trabalho dentro do laboratório é um pedaço da beleza que está contida na fotografia, faz parte e é arte, arte no sentido que te geram sensações, apreciações e etc. E que o tempo faz questão de apagar, a relação comercial engole as sensações mudam sentimentos tornam tudo um processo mecânico frio, que um dia está presente e o no outro está ultrapassado, sem nenhuma relação, sem nenhuma aflição.

Essa experiência que tive, espero poder repetir, repassar, reproduzir diversas vezes onde terei o maior prazer, é isso, prazer esse que a fotografia proporciona.


imagen: internet.